Tendinite é o nome popular para dor no tendão, mas na maioria dos casos crônicos o problema não é inflamação e sim degeneração das fibras, chamada tendinose. Essa diferença muda o tratamento: o que ajuda em uma fase pode atrapalhar em outra. Em Brasília e no Gama, a Dra. Mayara Ferreira Ramos usa o ultrassom para identificar o tendão afetado, a fase da lesão e a presença de ruptura, e define com o paciente o tratamento mais adequado, que quase sempre inclui reabilitação com carga progressiva.

O que é o tendão e como ele adoece

Tendões são cordões fibrosos que ligam o músculo ao osso. São formados principalmente por colágeno tipo 1, organizado em fibras paralelas que suportam cargas enormes. O tendão de Aquiles, por exemplo, recebe forças de várias vezes o peso do corpo a cada passo de corrida.

O tendão se adapta à carga, mas de forma lenta. Quando a carga aumenta mais rápido do que ele consegue se adaptar, ou quando ele fica sem estímulo por muito tempo, as fibras começam a se desorganizar. Surgem áreas com colágeno de pior qualidade, acúmulo de água e crescimento de pequenos vasos e terminações nervosas dentro do tendão. É isso que dói.

Por isso o termo técnico mais correto é tendinopatia, que engloba todo o espectro de alterações do tendão, da irritação inicial à ruptura.

As variações da tendinopatia

Tendinopatia reativa

É o que se costuma chamar de “tendinite aguda”. Acontece após uma sobrecarga súbita, como começar a correr distâncias maiores, mudar de função no trabalho ou passar um fim de semana fazendo jardinagem. O tendão incha e dói, mas a estrutura das fibras está preservada. Com ajuste da carga, costuma reverter em semanas.

Tendinopatia em desestruturação

Se a sobrecarga persiste, as fibras começam a se desorganizar. A dor oscila, melhora com repouso e volta com a atividade. Ainda existe bom potencial de recuperação com o estímulo correto.

Tendinose (fase degenerativa)

Na fase crônica, há áreas de degeneração estabelecida, com vasos e nervos novos dentro do tendão. É a situação da maioria dos pacientes que chegam ao consultório após meses de dor. Não é uma inflamação clássica, e por isso anti-inflamatórios e corticoide têm efeito limitado ou temporário.

Ruptura parcial e completa

Tendões degenerados ficam mais frágeis. Rupturas parciais são comuns no manguito rotador e no cotovelo. Rupturas completas podem acontecer no ombro, no Aquiles e no bíceps, às vezes com um esforço aparentemente pequeno.

Tenossinovite

Alguns tendões correm dentro de uma bainha, como uma luva. Quando a inflamação atinge essa bainha, fala-se em tenossinovite. Aqui há inflamação verdadeira e o corticoide costuma funcionar bem. Exemplos: De Quervain e dedo em gatilho.

Tendinopatia calcária

Depósitos de cálcio dentro do tendão, mais comuns no ombro, com evolução e tratamento próprios. Veja tendinite calcária.

Tendões mais afetados

RegiãoTendãoCondição
OmbroSupraespinal e manguito rotadorSíndrome do manguito rotador
CotoveloExtensores e flexores do punhoEpicondilite
PunhoTendões do polegarDe Quervain
QuadrilGlúteo médio e mínimoDor trocantérica
JoelhoPatelar e pata de gansoTendinopatia patelar e anserina
TornozeloAquilesTendinopatia do Aquiles

Sintomas da tendinopatia

  • Dor localizada sobre o tendão, que piora com a atividade que o sobrecarrega e melhora com repouso relativo.
  • Dor de “aquecimento”: dói no início do movimento, melhora durante e volta mais forte depois ou no dia seguinte. É um padrão típico que ajuda a diferenciar de dor articular.
  • Rigidez matinal no tendão, principalmente no Aquiles e na fáscia plantar, que alivia após alguns minutos de movimento.
  • Dor ao toque em um ponto específico, muitas vezes do tamanho da ponta de um dedo.
  • Perda de força ou sensação de insegurança ao usar o membro, como deixar a xícara cair ou falsear o pé.
  • Espessamento palpável em tendões superficiais.
  • Estalos ou crepitação, principalmente nas tenossinovites.

Causas e fatores de risco

A tendinopatia quase nunca tem uma causa única. Ela resulta da soma de carga excessiva ou mal distribuída com fatores individuais que reduzem a capacidade do tendão de se adaptar:

  • Aumento rápido de volume ou intensidade de treino, trabalho ou tarefas domésticas.
  • Movimentos repetitivos como digitação, uso de ferramentas e levantamento de peso.
  • Idade acima de 40 anos, quando o tendão perde capacidade de adaptação.
  • Menopausa: a queda do estrogênio afeta a qualidade do colágeno, e muitas mulheres notam o início das dores nessa fase.
  • Diabetes, colesterol elevado e excesso de peso, que alteram o colágeno e aumentam a inflamação no organismo.
  • Doenças reumáticas, como artrite psoriásica, que inflamam a inserção dos tendões.
  • Tabagismo, que prejudica a irrigação do tendão.

Sinais de alerta

  • Estalo seguido de perda súbita de força, como não conseguir ficar na ponta do pé ou levantar o braço: possível ruptura.
  • Deformidade visível no músculo, como a “bola” no braço da ruptura do bíceps.
  • Febre com bainha vermelha e inchada, principalmente na mão após ferimento: possível infecção, que é urgência.
  • Dor intensa no tendão durante ou após uso de antibiótico fluoroquinolona: suspenda o esforço e procure orientação.

Sua tendinite volta sempre?

Tendinite que não melhora costuma ser tendinose ou ruptura parcial. O ultrassom mostra a fase da lesão e orienta o tratamento certo.

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Investigação clínica completa

Histórico clínico

Quando a dor começou, o que mudou na rotina, quais tratamentos foram feitos e a resposta a cada um. Infiltrações anteriores no mesmo tendão são registradas com atenção.

Exames hormonais e laboratoriais

Quando o quadro sugere causa sistêmica, são solicitados glicemia e hemoglobina glicada, perfil lipídico, TSH, ácido úrico, PCR e VHS. Na mulher na transição menopausal, a relação com a queda hormonal é discutida com o ginecologista.

Fatores metabólicos

Peso, circunferência abdominal e controle do diabetes influenciam diretamente a cicatrização do tendão e o tempo de recuperação.

Sono

Dor noturna e sono ruim se alimentam mutuamente. Durante o sono profundo acontece boa parte da recuperação dos tecidos, e dormir mal reduz a capacidade de adaptação do tendão.

Saúde mental

Ansiedade, estresse e medo de se movimentar, chamado de cinesiofobia, prolongam a dor crônica e dificultam a reabilitação. Reconhecer esses fatores faz parte do tratamento.

Uso de medicamentos

Antibióticos do grupo das fluoroquinolonas, como ciprofloxacino e levofloxacino, estão associados a tendinopatia e ruptura, especialmente do Aquiles. Corticoides em comprimido por tempo prolongado, inibidores de aromatase usados após câncer de mama e, com associação ainda discutida, estatinas também entram na lista.

Estilo de vida

Tipo de trabalho, esportes praticados, calçados, ergonomia e pausas definem a carga que o tendão recebe e o que precisa ser ajustado.

Relacionamento e rotina familiar

Carregar filhos pequenos, cuidar de familiares idosos e tarefas domésticas repetitivas são fontes frequentes de sobrecarga. A dor também afeta humor e convivência, e o plano de tratamento precisa caber na rotina real da família.

Diagnóstico: quais exames são necessários

O ultrassom musculoesquelético é o exame de escolha para a maioria dos tendões. Ele mostra espessamento, perda do padrão das fibras, áreas de degeneração, vasos novos ao Doppler, que se correlacionam com a dor, rupturas, calcificações e líquido na bainha. A ressonância é indicada quando há dúvida sobre ruptura em tendões profundos, lesão óssea associada ou planejamento cirúrgico.

Tratamentos disponíveis

Gestão da carga

O tendão precisa de carga para se recuperar, mas na dose certa. Repouso absoluto enfraquece o tendão. O ajuste consiste em reduzir temporariamente o que provoca dor intensa, mantendo movimento e atividade alternativa.

Exercício terapêutico

É o tratamento com melhor evidência para tendinopatias crônicas. Inclui exercícios isométricos para alívio da dor, excêntricos e de carga pesada lenta para remodelar o tendão e progressão gradual até a atividade desejada. Leva semanas a meses, e a adesão é o principal fator de sucesso.

Terapia por ondas de choque

Tem evidência em tendinopatia calcária do ombro, fascite plantar, Aquiles e epicondilite que não responderam ao tratamento inicial.

Procedimentos guiados por ultrassom

A infiltração guiada é útil na bainha tendínea e na bursa adjacente. O corticoide nunca é aplicado dentro do tendão, e o ultrassom permite confirmar isso. Em casos selecionados de Aquiles e patelar, técnicas de infiltração de alto volume ao redor do tendão podem ser discutidas.

Cirurgia

Reservada para rupturas completas com indicação de reparo e para tendinopatias que não respondem a um tratamento conservador bem conduzido por 6 meses ou mais.

Limitações e quando o tratamento não é indicado

Nenhum procedimento substitui a reabilitação. Infiltrações de corticoide não são indicadas dentro do tendão, em tendinoses de tendões de carga e em rupturas com indicação cirúrgica. Tratamentos que prometem resolução rápida de uma tendinose crônica devem ser vistos com cautela.

Riscos da automedicação

A combinação de anti-inflamatório por conta própria com infiltrações de corticoide repetidas é o caminho mais comum para a cronificação. Alivia a dor, o paciente volta à mesma carga, o tendão continua degenerando e, em alguns casos, rompe. Além disso, o anti-inflamatório contínuo traz risco para estômago, rins e pressão arterial.

Tratamento de tendinite em Brasília e no Gama

A Dra. Mayara atende no consultório da Asa Norte, em Brasília, e pacientes do Gama, Novo Gama e entorno, inclusive em domicílio. O ultrassom é feito na consulta e o plano é definido com base no que a imagem mostra. Procure avaliação se a dor no tendão dura mais de 4 a 6 semanas, volta sempre que você retoma a atividade ou vem acompanhada de perda de força.

Perguntas frequentes

Tendinite tem cura?

A maioria das tendinopatias melhora bastante com tratamento adequado, embora o tempo possa ser de meses. A recuperação depende da fase, do tendão envolvido e principalmente da adesão à reabilitação com carga progressiva.

Devo parar de fazer exercício?

Em geral não. O recomendado é ajustar a carga, evitando o que causa dor forte, e manter atividade física alternativa. O repouso completo enfraquece o tendão e atrasa a recuperação.

Por que minha tendinite não melhora com anti-inflamatório?

Porque na fase crônica o problema principal é degeneração das fibras, não inflamação. O anti-inflamatório alivia o sintoma por algumas horas, mas não reorganiza o tendão. O exercício terapêutico é o tratamento com melhor evidência nessa fase.

Infiltração resolve tendinite?

Nas tenossinovites e nas bursites associadas, costuma ajudar bastante. Nas tendinoses, o corticoide tem papel limitado e nunca deve ser aplicado dentro do tendão. O ultrassom define qual é o caso e onde o medicamento deve ir.

Tendinite pode virar ruptura?

Tendões degenerados ficam mais frágeis e podem romper, principalmente com esforço súbito, infiltrações repetidas de corticoide ou uso de antibióticos do grupo das fluoroquinolonas.

Agende sua avaliação em Brasília ou no Gama

Consulta e ultrassom com a Dra. Mayara Ferreira Ramos, no consultório da Asa Norte ou em domicílio. A conduta é sempre definida após avaliação individual.

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