A tendinite calcária é a formação de depósitos de cálcio dentro dos tendões do manguito rotador. Pode passar anos sem sintoma e, de repente, causar uma das dores mais intensas do ombro. Na maioria dos casos o cálcio é reabsorvido naturalmente, e o tratamento conservador resolve. Quando não resolve, a barbotagem guiada por ultrassom é uma opção eficaz e minimamente invasiva. Em Brasília e no Gama, a Dra. Mayara Ferreira Ramos identifica a fase do depósito e indica a conduta.
O que é a tendinite calcária
É a deposição de cristais de hidroxiapatita de cálcio dentro de um tendão até então sadio. O tendão mais afetado é o supraespinal, seguido do infraespinal e do subescapular, todos do manguito rotador. É mais comum em mulheres entre 30 e 60 anos e pode afetar os dois ombros.
Diferente da tendinopatia degenerativa comum, aqui o problema não é desgaste por idade. O tendão sofre uma transformação do tecido que cria um ambiente favorável ao depósito, por mecanismos que ainda não são completamente conhecidos.
As fases da doença
A tendinite calcária segue um ciclo natural. Saber em qual fase o paciente está orienta o tratamento.
Fase pré-calcificação
O tecido do tendão se transforma e prepara o ambiente para o depósito. Geralmente não há sintomas.
Fase formativa
O cálcio se deposita e forma uma massa dura, como giz. Pode ser assintomática ou causar dor crônica leve a moderada ao levantar o braço, pelo volume e pelo atrito com a bursa.
Fase reabsortiva
O organismo começa a eliminar o depósito. Células de defesa e vasos chegam ao local e o cálcio fica pastoso, como pasta de dente. É a fase da crise aguda: dor intensa e súbita, que impede qualquer movimento e tira o sono. Às vezes o cálcio extravasa para a bursa e causa bursite aguda.
Apesar de muito dolorosa, essa fase é um sinal de que o corpo está eliminando a calcificação.
Fase pós-calcificação
O tendão se remodela e o cálcio desaparece ou diminui muito. A dor tende a desaparecer.
Classificação pela imagem
| Aspecto do depósito | Fase provável | Resposta à lavagem |
|---|---|---|
| Denso, bem delimitado | Formativa | Mais difícil de fragmentar |
| Irregular, pouco denso | Reabsortiva | Mais fácil de aspirar |
| Muito pequeno ou ausente | Pós-calcificação | Apenas acompanhamento |
Sintomas
- Crise aguda: dor súbita e muito intensa no ombro, que impede mexer o braço, piora à noite e não cede com analgésico comum.
- Forma crônica: dor ao levantar o braço, estalos e dor noturna, parecidas com a tendinopatia do manguito.
- Forma assintomática: descoberta por acaso em radiografia ou ultrassom feitos por outro motivo.
Causas e fatores associados
A causa exata não é conhecida. Há associação com sexo feminino, idade entre 30 e 60 anos, diabetes, alterações da tireoide e fatores metabólicos e hormonais ainda em estudo. Trabalho repetitivo com os braços pode tornar os sintomas mais evidentes, mas não é a causa do depósito.
Sinais de alerta
- Dor intensa com febre e ombro quente: afastar infecção articular.
- Perda súbita de força para levantar o braço: afastar ruptura do tendão.
- Dor no ombro esquerdo com falta de ar ou dor no peito: procurar pronto-socorro.
Está em crise de dor no ombro?
O ultrassom localiza o cálcio, mostra se ele está pastoso e define se a infiltração ou a barbotagem podem trazer alívio mais rápido.
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Histórico clínico
Início súbito ou gradual, crises anteriores, dor no outro ombro, tratamentos já feitos e resposta a cada um.
Exames hormonais e laboratoriais
Glicemia, hemoglobina glicada e TSH em casos selecionados, pela associação da doença com diabetes e tireoide.
Fatores metabólicos
Em diabéticos, o controle glicêmico é importante antes de procedimentos que usam corticoide.
Sono
A dor noturna da crise pode ser incapacitante, e o controle adequado da dor à noite faz parte do tratamento.
Saúde mental
A intensidade da dor na crise assusta e gera medo de uma doença grave. Entender o ciclo natural da calcificação costuma trazer alívio emocional imediato.
Uso de medicamentos
Anticoagulantes e corticoides orais recentes são revisados antes de qualquer procedimento.
Estilo de vida
Trabalho com braços elevados, esporte e posição de dormir influenciam os sintomas na forma crônica.
Relacionamento e rotina familiar
Na crise, tarefas simples como vestir-se ou cuidar dos filhos ficam impossíveis por alguns dias, e o apoio da família é necessário.
Diagnóstico: quais exames são necessários
A radiografia confirma e mede o depósito. O ultrassom musculoesquelético localiza exatamente o cálcio dentro do tendão, avalia sua consistência, identifica bursite ou ruptura associadas e guia o tratamento. O diagnóstico diferencial inclui capsulite adesiva, ruptura do manguito e dor irradiada da coluna cervical.
Tratamentos disponíveis
Na crise aguda
Analgésicos, anti-inflamatório por curto período, gelo e repouso relativo. A infiltração guiada com corticoide na bursa subacromial traz alívio rápido. Em muitos casos, a própria crise marca o início da reabsorção.
Na forma crônica
- Fisioterapia para manter o movimento e fortalecer o manguito.
- Terapia por ondas de choque, com boa evidência para reduzir a dor e o tamanho do depósito.
- Barbotagem guiada por ultrassom, indicada em depósitos maiores que cerca de 5 mm com dor persistente por mais de 3 a 6 meses.
Cirurgia
Remoção artroscópica do depósito, reservada para casos que não respondem às opções anteriores.
O que esperar da crise e da recuperação
A crise aguda costuma ter seu pico de dor nos primeiros 3 a 5 dias e melhora de forma importante em 1 a 2 semanas, principalmente quando a bursa é infiltrada. Nesse período, o ombro deve ser mantido em repouso relativo, sem imobilização completa, com movimentos suaves de pêndulo para evitar rigidez.
Na forma crônica, a recuperação é mais lenta. Após ondas de choque, a melhora costuma aparecer entre 4 e 12 semanas. Após a barbotagem, o paciente pode ter dor mais intensa nos primeiros dias, seguida de melhora progressiva nas semanas seguintes, e a radiografia de controle mostra a redução do depósito.
Em ambos os casos, o fortalecimento do manguito rotador e dos músculos da escápula ajuda a manter o ombro sem dor depois que o cálcio desaparece.
Limitações e quando o tratamento não é indicado
Nem todo depósito precisa ser tratado. Calcificações pequenas e assintomáticas geralmente são apenas acompanhadas. A barbotagem pode não remover todo o cálcio, e depósitos muito duros respondem menos. Procedimentos não são feitos com infecção ou diabetes descompensado.
Riscos da automedicação
Durante a crise, é comum o uso de doses altas de anti-inflamatórios por conta própria. Isso traz risco de sangramento digestivo e piora da função dos rins, principalmente quando combinado com outros analgésicos. A crise tem tratamento eficaz e rápido com orientação médica.
Tendinite calcária em Brasília e no Gama
A Dra. Mayara diagnostica e trata a tendinite calcária no consultório da Asa Norte, em Brasília, e atende pacientes do Gama, Novo Gama e entorno. Veja também dor no ombro.
Perguntas frequentes
O cálcio no ombro vem do leite ou do suplemento?
Não. A calcificação do tendão não tem relação com o cálcio da alimentação, com suplementos ou com osteoporose. É um processo que acontece dentro do próprio tendão.
A calcificação desaparece sozinha?
Em muitos casos, sim, principalmente depois da fase de crise, que marca o início da reabsorção. Por isso nem toda calcificação precisa de procedimento.
A barbotagem dói?
É feita com anestesia local. Há sensação de pressão durante o procedimento e pode haver dor nos primeiros dias, controlada com analgésico e gelo.
Ondas de choque ou barbotagem?
As duas têm boa evidência. A escolha depende do tamanho, da consistência do depósito e da preferência do paciente. A barbotagem tende a ser mais rápida em depósitos pastosos.
A calcificação pode voltar?
Pode, mas é incomum no mesmo local depois da reabsorção completa. Depósitos no outro ombro são possíveis.
Agende sua avaliação em Brasília ou no Gama
Consulta e ultrassom com a Dra. Mayara Ferreira Ramos, no consultório da Asa Norte ou em domicílio. A conduta é sempre definida após avaliação individual.
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