O tendão de Aquiles é o maior e mais forte do corpo, mas também um dos mais lesionados. A tendinopatia causa dor e rigidez atrás do tornozelo e pode ser de dois tipos, com tratamentos diferentes. O corticoide dentro do tendão é contraindicado pelo risco de ruptura, e antibióticos do grupo das fluoroquinolonas estão entre as causas. Em Brasília e no Gama, a Dra. Mayara Ferreira Ramos classifica a lesão com ultrassom e guia qualquer procedimento com segurança.
O que é a tendinopatia do Aquiles
O tendão de Aquiles une os músculos da panturrilha ao calcâneo e suporta cargas de várias vezes o peso do corpo em cada passo de corrida. Quando a carga supera a capacidade de adaptação, o tendão degenera, espessa e dói. Na maioria dos casos crônicos, não há inflamação clássica, e sim desorganização das fibras. Veja tendinite.
As variações
Tendinopatia de porção média
Acontece de 2 a 6 cm acima do calcanhar, na região de menor irrigação do tendão. O tendão fica espessado em forma de fuso. É mais comum em corredores, mas também ocorre em sedentários.
Tendinopatia insercional
Na inserção do tendão no calcâneo, frequentemente com calcificações, esporão posterior e a deformidade de Haglund, uma saliência óssea na parte de trás do calcâneo. Mais comum em pessoas mais velhas e com excesso de peso.
Bursite retrocalcânea
Inflamação da bursa entre o tendão e o calcâneo, associada à forma insercional e ao atrito com o calçado. Veja bursite.
Paratendinopatia
Inflamação do tecido que envolve o tendão, sem lesão nas fibras. Pode causar crepitação ao movimentar o tornozelo.
Ruptura parcial e completa
A ruptura completa acontece com esforço súbito, como arranque ou salto, com sensação de pancada atrás do tornozelo. É mais comum em homens entre 30 e 50 anos em esportes de fim de semana e em quem usou fluoroquinolonas ou corticoides.
| Tipo | Local da dor | Exercício indicado |
|---|---|---|
| Porção média | 2 a 6 cm acima do calcanhar | Excêntrico e carga pesada lenta |
| Insercional | No calcanhar | Excêntrico adaptado, sem descer abaixo do degrau |
| Bursite retrocalcânea | Atrás do calcanhar, com atrito | Ajuste de calçado e carga |
Sintomas
- Dor e rigidez atrás do tornozelo pela manhã.
- Dor ao iniciar a atividade, que pode melhorar durante e piorar depois.
- Espessamento palpável do tendão.
- Dor ao subir escadas ou ficar na ponta dos pés.
- Dor com sapatos de contraforte rígido, na forma insercional.
Causas e fatores de risco
- Aumento rápido de volume de corrida ou de treino.
- Treinos em ladeira e mudança de calçado.
- Encurtamento da panturrilha.
- Excesso de peso.
- Idade acima de 35 anos.
- Fluoroquinolonas, principalmente em idosos e com uso simultâneo de corticoide.
- Corticoides sistêmicos e infiltrações de corticoide.
- Diabetes, colesterol elevado e doenças inflamatórias.
Sinais de alerta
- Estalo com dor súbita atrás do tornozelo e dificuldade para ficar na ponta do pé: possível ruptura, procure atendimento no mesmo dia.
- Dor no Aquiles durante ou após uso de fluoroquinolona: suspenda a atividade física e procure orientação médica.
- Nódulos amarelados no tendão: podem indicar colesterol muito elevado de origem genética.
A dor atrás do tornozelo não passa?
O ultrassom mostra o tipo de tendinopatia e se há ruptura, e define o exercício e o tratamento certos para o seu caso.
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Histórico clínico
Esportes, mudanças de treino, calçado, uso recente de antibióticos e corticoides, episódios anteriores.
Exames hormonais e laboratoriais
Perfil lipídico, glicemia e marcadores inflamatórios em casos atípicos, bilaterais ou com nódulos no tendão.
Fatores metabólicos
Excesso de peso e diabetes aumentam a carga e prejudicam a cicatrização.
Sono
A rigidez matinal é típica. Dor noturna intensa leva a investigar outras causas.
Saúde mental
Em atletas, a pressão por voltar rápido e o medo de ruptura influenciam a adesão ao tratamento.
Uso de medicamentos
Fluoroquinolonas, corticoides e estatinas são revisados com atenção.
Estilo de vida
Volume de corrida, terreno, calçados e calendário de provas.
Relacionamento e rotina familiar
Conciliar treino, trabalho e família define o tempo disponível para a reabilitação, que exige constância diária.
Diagnóstico: quais exames são necessários
O ultrassom musculoesquelético mostra espessamento e degeneração do tendão, vasos novos ao Doppler, rupturas parciais e completas com medida da distância entre as pontas, calcificações, esporão, bursite retrocalcânea e deformidade de Haglund. A radiografia avalia o calcâneo, e a ressonância é usada em dúvidas ou planejamento cirúrgico.
Tratamentos disponíveis
Gestão de carga
Reduzir temporariamente o que causa dor forte, mantendo movimento.
Exercícios
Na porção média, excêntricos e de carga pesada lenta. Na forma insercional, exercícios adaptados, sem descer o calcanhar abaixo do nível do degrau.
Ajustes
Calcanheira que eleva levemente o calcanhar e calçado sem contraforte rígido na forma insercional.
Terapia por ondas de choque
Boa evidência nas duas formas.
Procedimentos guiados por ultrassom
Infiltração da bursa retrocalcânea, com corticoide apenas na bursa, e infiltração de alto volume ao redor do tendão em casos selecionados de porção média. Veja infiltração guiada.
Cirurgia
Para tendinopatias refratárias após 6 meses e para remoção de Haglund e calcificações. A ruptura completa é tratada com imobilização funcional ou cirurgia, conforme decisão com o ortopedista.
Retorno à corrida com segurança
O retorno deve seguir critérios, e não apenas o calendário. Antes de voltar a correr, o paciente deve conseguir fazer cerca de 25 elevações na ponta de um pé só, com dor leve ou ausente, e caminhar rápido sem dor no dia seguinte. A partir daí, o retorno começa com intervalos de caminhada e corrida em terreno plano, aumentando o volume de forma gradual, cerca de 10% por semana.
A regra prática mais útil é observar a dor na manhã seguinte ao treino. Se a rigidez e a dor pioram, a carga foi excessiva e precisa ser reduzida. Se permanecem iguais ou melhores, a progressão pode continuar.
Como prevenir novas crises
Manter o fortalecimento da panturrilha duas a três vezes por semana, mesmo depois da melhora, é a medida mais eficaz para evitar recidivas. Também ajudam aumentar o volume de treino de forma gradual, alternar terrenos, trocar o tênis quando o amortecimento estiver gasto e evitar mudanças bruscas de calçado, como passar de um tênis com salto alto para um modelo muito baixo.
Limitações e quando não é indicado
O corticoide dentro do tendão de Aquiles é contraindicado pelo risco de ruptura. Procedimentos não substituem o exercício, e o retorno ao esporte depende de força e ausência de dor, não apenas do tempo.
Riscos da automedicação
Tomar anti-inflamatório e continuar correndo no mesmo volume aumenta o risco de ruptura. Usar antibióticos por conta própria também é perigoso, principalmente as fluoroquinolonas, pela associação com lesão do tendão.
Tendinite de Aquiles em Brasília e no Gama
A Dra. Mayara avalia o tendão com ultrassom dinâmico no consultório da Asa Norte, em Brasília, e atende pacientes do Gama, Novo Gama e entorno. Veja também dor no tornozelo e no pé.
Perguntas frequentes
Posso correr com tendinite de Aquiles?
Depende da intensidade. Em muitos casos é possível manter atividade com redução de volume, desde que a dor fique leve durante o treino e não piore no dia seguinte.
Infiltração no Aquiles é segura?
O corticoide dentro do tendão não é seguro e está contraindicado. Procedimentos guiados ao redor do tendão ou na bursa retrocalcânea podem ser feitos em casos selecionados.
Quanto tempo leva para melhorar?
Em geral de 3 a 6 meses com exercício consistente. Casos insercionais e crônicos podem levar mais tempo.
O antibiótico pode ter causado minha dor no tendão?
As fluoroquinolonas, como ciprofloxacino e levofloxacino, estão associadas a lesão do tendão, às vezes semanas após o uso. Se a dor começou durante ou depois do tratamento, informe o médico e reduza o esforço.
Como saber se o Aquiles rompeu?
A ruptura costuma vir com estalo e sensação de pancada atrás do tornozelo, seguida de dificuldade para ficar na ponta do pé. Nesse caso, procure atendimento no mesmo dia.
Agende sua avaliação em Brasília ou no Gama
Consulta e ultrassom com a Dra. Mayara Ferreira Ramos, no consultório da Asa Norte ou em domicílio. A conduta é sempre definida após avaliação individual.
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