A fascite plantar é a principal causa de dor no calcanhar em adultos. A dor típica aparece nos primeiros passos da manhã ou depois de ficar sentado. O esporão, que muitos acreditam ser a causa, está presente em muitas pessoas sem dor e raramente é o problema principal. Cerca de 80% a 90% dos casos melhoram com tratamento conservador em até 1 ano. Em Brasília e no Gama, a Dra. Mayara Ferreira Ramos confirma o diagnóstico com ultrassom e, nos casos que não respondem, guia o tratamento.

O que é a fáscia plantar

A fáscia plantar é uma faixa fibrosa e resistente que vai do calcanhar até a base dos dedos, sustentando o arco do pé como a corda de um arco. A cada passo, ela é esticada e absorve parte do impacto. Quando a carga é maior do que sua capacidade de adaptação, surgem microlesões na inserção no calcâneo e o tecido degenera.

Assim como nos tendões, na maioria dos casos crônicos o problema é degenerativo e não inflamatório. Por isso alguns autores preferem o termo fasciopatia plantar. Veja tendinite.

As variações

Fascite plantar insercional

A forma clássica, junto ao calcanhar. É a mais comum.

Fascite com esporão

O esporão é um bico ósseo na parte de baixo do calcâneo. Está presente em cerca de metade dos pacientes com fascite, mas também em muitas pessoas sem nenhuma dor. Remover o esporão não é tratamento de rotina.

Ruptura da fáscia plantar

Pode acontecer em esforço súbito ou após infiltrações repetidas de corticoide. Causa dor aguda e, às vezes, hematoma na sola.

Fibromatose plantar

Nódulos firmes no meio da sola, diferentes da fascite. O ultrassom diferencia.

Atrofia do coxim gorduroso

Afinamento da almofada de gordura sob o calcanhar, comum com a idade e após infiltrações repetidas. A dor é no centro do calcanhar e piora em superfície dura.

Sintomas

  • Dor no calcanhar nos primeiros passos da manhã ou após período sentado, que melhora após alguns minutos.
  • Piora no final do dia ou após muito tempo em pé.
  • Dor ao toque na parte interna de baixo do calcanhar.
  • Piora ao andar descalço ou com calçados sem apoio.

Causas e fatores de risco

  • Excesso de peso, um dos fatores mais importantes.
  • Ficar muito tempo em pé, em trabalhos como comércio, indústria e saúde.
  • Encurtamento da panturrilha e do tendão de Aquiles.
  • Pé plano ou pé cavo.
  • Aumento súbito de atividade, como começar a correr ou caminhar longas distâncias.
  • Calçados sem amortecimento, chinelos e sapatilhas.
  • Idade entre 40 e 60 anos.

Diagnósticos diferenciais

  • Fratura por estresse do calcâneo: dor ao apertar o calcanhar pelos lados.
  • Síndrome do túnel do tarso: queimação e formigamento na sola por compressão de nervo.
  • Tendinopatia do Aquiles insercional e bursite retrocalcânea, na parte de trás do calcanhar.
  • Doenças inflamatórias, em casos nos dois pés em pessoas jovens.

Como diferenciar as dores do calcanhar

CondiçãoOnde dóiCaracterística marcante
Fascite plantarSola, parte interna do calcanharDor no primeiro passo da manhã
Fratura por estresseCalcanhar inteiroDor ao apertar pelos lados
Atrofia do coximCentro do calcanharPiora em piso duro
Túnel do tarsoSola e parte internaQueimação e formigamento
Aquiles insercionalAtrás do calcanharDor com o contraforte do sapato

Sinais de alerta

  • Dor ao apertar o calcanhar pelos lados: afastar fratura por estresse.
  • Queimação, formigamento ou dormência na sola.
  • Dor noturna em repouso.
  • Dor nos dois calcanhares com dor lombar em pessoa jovem: investigar doença inflamatória.

O primeiro passo da manhã dói?

O ultrassom confirma a fascite, mede a espessura da fáscia e ajuda a escolher o tratamento que evita riscos desnecessários.

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Investigação clínica completa

Histórico clínico

Tempo de dor, mudanças de atividade, calçados, profissão e tratamentos já feitos, incluindo infiltrações no calcanhar.

Exames hormonais e laboratoriais

Quando o quadro é bilateral, em jovens, ou há dor em outras articulações e na coluna: PCR, VHS e HLA-B27. Glicemia quando há suspeita de diabetes.

Fatores metabólicos

Peso e diabetes são decisivos. A perda de peso reduz a carga sobre a fáscia a cada passo.

Sono

A dor ao acordar marca o início do dia. Alongar a fáscia antes de levantar da cama reduz essa dor.

Saúde mental

A dor crônica ao caminhar reduz a atividade física, afeta o humor e a disposição e pode levar ao ganho de peso, que piora a fascite.

Uso de medicamentos

Fluoroquinolonas e corticoides afetam tecidos fibrosos. Anticoagulantes são revisados antes de procedimentos.

Estilo de vida

Trabalho em pé, atividade física, uso de chinelos em casa e superfícies duras.

Relacionamento e rotina familiar

Passeios, compras e brincadeiras com os filhos exigem caminhar, e a limitação pesa na vida familiar.

Diagnóstico: quais exames são necessários

O ultrassom musculoesquelético mede a espessura da fáscia na inserção. Espessura acima de 4 mm, com perda do padrão das fibras, confirma a fascite. O exame também avalia rupturas, o coxim gorduroso, o esporão e as estruturas vizinhas. A radiografia mostra o esporão, e a ressonância é reservada para suspeita de fratura por estresse.

Tratamentos disponíveis

Medidas de base

Alongamento específico da fáscia plantar e da panturrilha, principalmente antes de levantar da cama, calçado com amortecimento e suporte do arco, palmilhas ou calcanheiras de silicone, controle do peso, ajuste de atividades de impacto e órtese noturna em casos selecionados.

Fortalecimento

Exercícios de carga progressiva para a fáscia e para os músculos do pé.

Terapia por ondas de choque

Boa evidência em casos crônicos que não responderam após alguns meses.

Infiltração guiada por ultrassom

A infiltração com corticoide alivia a dor em curto prazo. Deve ser feita com guia, fora da espessura da fáscia e do coxim, e não repetida com frequência.

Cirurgia

Raramente necessária, considerada após 6 a 12 meses de tratamento conservador bem conduzido sem melhora.

O alongamento que mais funciona

O alongamento específico da fáscia é simples e deve ser feito antes de levantar da cama e antes de ficar em pé depois de muito tempo sentado. Sentado, cruze o pé com dor sobre o joelho oposto, segure os dedos e puxe-os para trás, em direção à canela, até sentir a sola esticar. Mantenha por 10 segundos e repita 10 vezes. Com a outra mão, é possível sentir a fáscia tensa na sola, o que confirma que o alongamento está correto.

Limitações e quando a infiltração não é indicada

As infiltrações repetidas de corticoide no calcanhar são uma das principais causas evitáveis de ruptura da fáscia e de atrofia do coxim, que deixam dor crônica de difícil tratamento. A infiltração não é indicada em ruptura, atrofia do coxim ou fratura por estresse.

Riscos da automedicação

Usar anti-inflamatório por semanas, andar descalço para “fortalecer o pé” e manter treinos de corrida no mesmo volume costumam prolongar a fascite. A paciência com o tratamento conservador é, na maioria das vezes, o caminho mais seguro.

Fascite plantar em Brasília e no Gama

A Dra. Mayara avalia o calcanhar com ultrassom no consultório da Asa Norte, em Brasília, e atende pacientes do Gama, Novo Gama e entorno. Veja também dor no tornozelo e no pé.

Perguntas frequentes

Fascite plantar tem cura?

Sim. A grande maioria melhora com tratamento conservador bem feito, mas a recuperação pode levar meses. Paciência e constância nos alongamentos e no calçado adequado fazem diferença.

Preciso operar o esporão?

Raramente. O esporão não costuma ser a causa da dor. É consequência da tração crônica da fáscia, e o tratamento é o da fascite.

Infiltração no calcanhar é perigosa?

Tem riscos específicos, como ruptura da fáscia e afinamento da almofada de gordura do calcanhar. Por isso deve ser guiada por ultrassom, fora dessas estruturas, e não repetida com frequência.

Posso continuar correndo?

Em geral é necessário reduzir o volume temporariamente. O retorno é gradual, guiado pela dor no dia seguinte ao treino.

Qual o melhor calçado para fascite plantar?

Um calçado com amortecimento no calcanhar e bom suporte do arco. Chinelos, sapatilhas e andar descalço em casa costumam piorar.

Por que dói mais pela manhã?

Durante o sono, a fáscia fica encurtada. Ao pisar, ela é esticada de repente, provocando dor até que o tecido se aqueça com alguns minutos de caminhada.

Agende sua avaliação em Brasília ou no Gama

Consulta e ultrassom com a Dra. Mayara Ferreira Ramos, no consultório da Asa Norte ou em domicílio. A conduta é sempre definida após avaliação individual.

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