Epicondilite é a lesão dos tendões que se prendem nas saliências ósseas do cotovelo. A forma lateral, conhecida como cotovelo de tenista, é uma das causas mais comuns de dor no braço em adultos, e na maioria das vezes não tem relação com tênis. É uma degeneração do tendão, e isso muda o tratamento: a infiltração de corticoide alivia no curto prazo, mas pode piorar o resultado no longo. Em Brasília e no Gama, a Dra. Mayara Ferreira Ramos gradua a lesão com ultrassom e orienta o tratamento.
O que é a epicondilite
Os músculos que estendem o punho e os dedos se prendem em uma saliência na parte externa do cotovelo, o epicôndilo lateral. Os que flexionam o punho se prendem na parte interna, o epicôndilo medial.
Com o uso repetido, principalmente de preensão com o punho estendido, o tendão sofre microlesões que não cicatrizam adequadamente. O tecido fica desorganizado, com vasos e nervos novos. Esse processo, chamado tendinose, é o que dói. Na maioria dos casos não há inflamação clássica, e por isso o nome “epicondilite” é um pouco enganoso. Veja tendinite.
As variações
Epicondilite lateral (cotovelo de tenista)
A forma mais comum, afetando cerca de 1% a 3% dos adultos, com pico entre 35 e 55 anos. O tendão mais acometido é o do extensor radial curto do carpo. Dói na parte externa do cotovelo ao segurar objetos, apertar a mão, torcer um pano, abrir um pote, usar o mouse ou carregar sacolas.
Epicondilite medial (cotovelo de golfista)
Menos comum. Acomete a origem dos músculos flexores e pronadores, na parte interna do cotovelo. Dói ao flexionar o punho contra resistência e ao girar o antebraço. Pode vir com irritação do nervo ulnar e formigamento no dedo mínimo.
Epicondilite com ruptura parcial
Em casos crônicos, parte da origem do tendão se rompe. Esses casos respondem menos ao tratamento conservador.
Epicondilite refratária
Dor que persiste após 6 a 12 meses de tratamento adequado. Merece reavaliação do diagnóstico e das opções.
Sintomas
- Dor na parte externa ou interna do cotovelo, que pode descer para o antebraço.
- Dor ao segurar, apertar ou carregar objetos com o braço estendido.
- Perda de força de preensão, com tendência a derrubar objetos.
- Dor ao toque no epicôndilo.
- Rigidez matinal leve.
Causas e fatores de risco
- Atividades repetitivas de preensão e torção: trabalho manual, digitação, ferramentas, tarefas domésticas.
- Esportes com raquete e golfe, principalmente com técnica inadequada.
- Idade entre 35 e 55 anos.
- Tabagismo e obesidade.
- Diabetes, que prejudica a cicatrização tendínea.
Diagnósticos diferenciais
- Síndrome do túnel radial: compressão de um ramo do nervo radial, com dor um pouco abaixo do epicôndilo.
- Artrose do cotovelo.
- Radiculopatia cervical, dor que vem do pescoço.
- Neurite do nervo ulnar, na forma medial.
- Instabilidade ligamentar, em atletas de arremesso.
Como a epicondilite evolui
A história natural é favorável, mas lenta. Nas primeiras semanas, a dor é mais intensa. Entre o terceiro e o sexto mês, com ajuste de carga e exercícios, a maioria percebe melhora progressiva. Até o fim do primeiro ano, a grande maioria está sem dor ou com dor leve. Os fatores associados a pior evolução são dor inicial muito intensa, trabalho pesado que não pode ser ajustado, lado dominante, dor no pescoço associada e infiltrações repetidas de corticoide.
Sinais de alerta
- Dor após trauma com deformidade ou incapacidade de mover o cotovelo.
- Formigamento progressivo e perda de força na mão.
- Cotovelo quente, vermelho e inchado com febre.
- Estalo na frente do cotovelo com perda de força para dobrar o braço: possível ruptura do bíceps distal.
A dor no cotovelo atrapalha seu trabalho?
O ultrassom mostra o grau da lesão no tendão e ajuda a escolher o tratamento que funciona no longo prazo.
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Histórico clínico
Atividades profissionais e domésticas, esportes, início da dor, tratamentos e infiltrações anteriores.
Exames hormonais e laboratoriais
Em casos atípicos ou bilaterais: glicemia, hemoglobina glicada, TSH e marcadores inflamatórios.
Fatores metabólicos
Diabetes e excesso de peso retardam a cicatrização do tendão e aumentam a chance de dor prolongada.
Sono
Dor no cotovelo que acorda à noite é menos comum e sugere reavaliar o diagnóstico.
Saúde mental
O estresse ocupacional está associado a pior evolução. A dor crônica no cotovelo tem forte impacto no trabalho e na renda.
Uso de medicamentos
Fluoroquinolonas e corticoides orais são revisados, pela ação sobre tendões.
Estilo de vida
Ergonomia do trabalho, tipo de ferramenta, técnica esportiva e pausas.
Relacionamento e rotina familiar
Segurar um copo, carregar um filho e fazer tarefas de casa podem ser as atividades que mantêm a sobrecarga. Identificar essas tarefas faz parte do tratamento.
Diagnóstico: quais exames são necessários
O ultrassom musculoesquelético confirma o diagnóstico e gradua a lesão: espessamento e degeneração do tendão, vasos novos ao Doppler associados à dor, rupturas parciais, calcificações e avaliação dos nervos radial e ulnar. A radiografia avalia artrose. A ressonância é reservada para casos refratários e planejamento cirúrgico.
Tratamentos disponíveis
Educação e ajuste de carga
A maioria dos casos melhora espontaneamente em até 1 ano. Reduzir temporariamente as tarefas que doem, mudar a pegada para a palma virada para cima e usar ferramentas com cabo mais grosso.
Exercício terapêutico
Exercícios isométricos para alívio e excêntricos para remodelar o tendão. Têm evidência consistente e devem ser feitos por semanas a meses.
Órtese
A braçadeira abaixo do cotovelo pode reduzir a dor durante as atividades.
Terapia por ondas de choque
Opção para casos refratários, com evidência moderada.
Procedimentos guiados
Em casos refratários, técnicas guiadas por ultrassom como o agulhamento do tendão podem ser discutidas. Terapias com derivados do sangue, como o plasma rico em plaquetas, têm evidência ainda controversa e regulamentação específica do Conselho Federal de Medicina, e só são consideradas dentro das normas vigentes.
Cirurgia
Reservada para dor incapacitante após 6 a 12 meses de tratamento conservador bem conduzido.
Comparando as opções de tratamento
| Opção | Alívio em 6 semanas | Resultado em 1 ano | Observação |
|---|---|---|---|
| Exercício e ajuste de carga | Moderado | Bom | Tratamento de base |
| Braçadeira | Leve durante a atividade | Neutro | Complemento |
| Ondas de choque | Moderado | Bom em refratários | Opção após alguns meses |
| Corticoide | Alto | Pior, com mais recidiva | Não é primeira escolha |
| Cirurgia | Não se aplica | Bom em casos selecionados | Após 6 a 12 meses sem melhora |
Limitações e quando a infiltração não é indicada
Estudos de alta qualidade mostraram que a infiltração com corticoide traz alívio melhor nas primeiras semanas, mas resultado pior em 6 a 12 meses, com mais recidivas. Por isso ela não é primeira escolha na epicondilite lateral. Quando usada, em situações específicas, deve ser guiada e fora do tendão.
Riscos da automedicação
Anti-inflamatórios tomados por semanas aliviam, mas não reorganizam o tendão, e a dor volta assim que a carga retorna. Infiltrações repetidas por conta de alívio rápido aumentam o risco de ruptura e de dor crônica.
Epicondilite em Brasília e no Gama
A Dra. Mayara avalia o cotovelo com ultrassom no consultório da Asa Norte, em Brasília, e atende pacientes do Gama, Novo Gama e entorno. Veja também dor no cotovelo.
Perguntas frequentes
Epicondilite tem cura?
Sim. A grande maioria melhora, embora a recuperação possa levar meses. Cerca de 80% a 90% dos casos se resolvem em até 1 ano com tratamento conservador.
Por que não fazer infiltração de corticoide logo?
Porque estudos mostraram que o alívio inicial costuma ser seguido de maior chance de recidiva e pior resultado a longo prazo em comparação com fisioterapia ou observação. O corticoide não é primeira escolha na epicondilite lateral.
Preciso parar de trabalhar?
Na maioria dos casos, não. Ajustes na forma de executar as tarefas, pausas e mudanças de pegada costumam ser suficientes. Em trabalhos manuais pesados, o afastamento temporário pode ser discutido.
A braçadeira funciona?
Pode reduzir a dor durante as atividades, porque diminui a tração sobre o tendão, mas não trata a causa. É um complemento dos exercícios.
Posso ter epicondilite nos dois cotovelos?
Sim, principalmente em trabalhos manuais que exigem os dois braços. Casos bilaterais sem sobrecarga clara merecem investigar causas sistêmicas.
Agende sua avaliação em Brasília ou no Gama
Consulta e ultrassom com a Dra. Mayara Ferreira Ramos, no consultório da Asa Norte ou em domicílio. A conduta é sempre definida após avaliação individual.
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