A capsulite adesiva é uma inflamação seguida de retração da cápsula do ombro, que causa dor intensa e perda progressiva de movimento em todas as direções. Evolui em fases que podem durar de 1 a 3 anos, mas o tratamento certo, na fase certa, reduz a dor e encurta a limitação. Diabetes e doenças da tireoide são fatores de risco importantes. Em Brasília e no Gama, a Dra. Mayara Ferreira Ramos confirma o diagnóstico com ultrassom e realiza infiltração, hidrodilatação e bloqueio guiados.

O que é a capsulite adesiva

A articulação do ombro é envolvida por uma cápsula, uma membrana resistente que normalmente é folgada e permite a enorme amplitude de movimento do ombro. Na capsulite, essa cápsula inflama, engrossa e se retrai, reduzindo o espaço dentro da articulação.

O resultado é um ombro que dói e que “trava”: não consegue subir, abrir para o lado nem girar para fora ou para trás. Diferente das lesões de tendão, a limitação acontece tanto quando o próprio paciente tenta mover quanto quando outra pessoa tenta mover o braço dele. Esse é o sinal que diferencia a capsulite no exame.

Tipos de capsulite

Capsulite primária

Surge sem causa aparente. É a forma mais comum, principalmente em mulheres entre 40 e 60 anos.

Capsulite secundária

Associada a uma condição identificável:

  • Diabetes: risco várias vezes maior, com formas mais intensas, mais longas e às vezes bilaterais.
  • Doenças da tireoide, tanto hipotireoidismo quanto hipertireoidismo.
  • Imobilização prolongada após fratura, cirurgia ou lesão.
  • Cirurgias no ombro, na mama ou no tórax.
  • AVC e doença de Parkinson.
  • Colesterol elevado.
  • Doença de Dupuytren, a retração da palma da mão.

As três fases

FaseDuração aproximadaO que predomina
Dolorosa (“congelando”)2 a 9 mesesDor contínua, pior à noite, perda inicial de movimento
Rigidez (“congelado”)4 a 12 mesesMenos dor, ombro muito limitado
Recuperação (“descongelando”)5 a 26 mesesRetorno gradual do movimento

A fase dolorosa é quando o tratamento anti-inflamatório tem mais efeito. Na fase de rigidez, o foco passa a ser o ganho de movimento.

Sintomas

  • Dor profunda no ombro, às vezes irradiando para o braço.
  • Dor noturna intensa, que impede dormir sobre o lado afetado e às vezes sobre qualquer lado.
  • Perda de movimento em todas as direções, principalmente da rotação externa.
  • Dificuldade para levar a mão às costas, prender o sutiã, colocar o cinto de segurança ou pegar objetos no alto.
  • Dor aguda com movimentos bruscos, como tentar pegar algo que cai.

Diagnósticos diferenciais

  • Ruptura do manguito rotador: o braço não sobe sozinho, mas sobe quando alguém ajuda. Na capsulite, o bloqueio acontece nos dois casos.
  • Tendinite calcária em crise: dor súbita, com o cálcio visível na imagem.
  • Artrose do ombro: perda de movimento com alterações na radiografia.
  • Luxação posterior não diagnosticada, após convulsão ou trauma.
  • Dor irradiada da coluna cervical, em que o movimento do ombro está preservado.

Sinais de alerta

  • Febre com ombro quente e vermelho: afastar artrite séptica.
  • Perda de movimento após trauma: afastar fratura ou luxação.
  • Dor no ombro esquerdo com falta de ar ou dor no peito: procurar pronto-socorro.

Seu ombro está perdendo movimento?

Quanto mais cedo a capsulite é tratada na fase dolorosa, maior o benefício da infiltração. A avaliação define a fase e o melhor momento.

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Investigação clínica completa

Histórico clínico

Tempo de evolução, trauma, cirurgias recentes, imobilização e tratamentos já feitos. A fase da doença define o tratamento.

Exames hormonais e laboratoriais

Glicemia e hemoglobina glicada, porque em alguns pacientes a capsulite é a primeira pista de um diabetes ainda não diagnosticado. TSH e T4 livre para a tireoide, e perfil lipídico.

Fatores metabólicos

O controle do diabetes interfere na duração da doença. Em diabéticos, a capsulite dura mais e responde mais devagar.

Sono

A dor noturna da fase inicial é uma das mais intensas da ortopedia e compromete o descanso e a recuperação. Controlar a dor noturna é prioridade.

Saúde mental

A combinação de dor contínua, noites mal dormidas e limitação para tarefas simples tem forte impacto no humor. Há associação descrita entre ansiedade e capsulite.

Uso de medicamentos

Alguns antirretrovirais e medicamentos específicos foram associados à condição. Anticoagulantes e remédios para diabetes são revisados antes de procedimentos.

Estilo de vida

Trabalho, atividades com o braço e tempo disponível para a fisioterapia, que é longa, entram no planejamento.

Relacionamento e rotina familiar

A perda de autonomia para vestir-se, dirigir e cuidar da casa afeta a vida profissional e familiar. O apoio da família nos meses de tratamento faz diferença.

Diagnóstico: quais exames são necessários

O diagnóstico é principalmente clínico, pela perda de movimento ativo e passivo, com radiografia normal para excluir artrose e fratura. O ultrassom musculoesquelético ajuda a confirmar e excluir diferenciais: mostra espessamento do ligamento coracoumeral, aumento de vascularização no intervalo dos rotadores ao Doppler e limitação do deslizamento do tendão durante a elevação. A ressonância raramente é necessária.

Tratamentos disponíveis

Infiltração intra-articular guiada

A infiltração com corticoide dentro da articulação é o tratamento com melhor evidência para reduzir a dor na fase inicial e acelerar a recuperação quando feita precocemente.

Hidrodilatação

Injeção de volume maior de líquido na articulação para distender a cápsula, associada à fisioterapia. Veja hidrodilatação.

Bloqueio do nervo supraescapular

Reduz a dor e permite fisioterapia mais efetiva. Pode ser repetido. Veja bloqueio de nervos.

Fisioterapia

Alongamentos suaves e progressivos, respeitando a dor. Na fase dolorosa, alongamentos agressivos pioram a inflamação.

Manipulação ou liberação artroscópica

Reservadas para casos que não respondem após vários meses de tratamento conservador.

Capsulite em pessoas com diabetes

Em quem tem diabetes, a capsulite tende a começar mais cedo, durar mais, afetar os dois ombros e responder mais devagar ao tratamento. O excesso de glicose altera o colágeno da cápsula, deixando-a mais rígida. Por isso, o controle da glicemia faz parte do tratamento do ombro, e a glicemia é monitorada com mais atenção nos dias seguintes à infiltração ou à hidrodilatação com corticoide. A fisioterapia costuma precisar de mais tempo, e a expectativa é ajustada desde a primeira consulta.

Limitações e quando o tratamento não é indicado

Nenhum tratamento faz o ombro “descongelar” de um dia para o outro. A infiltração tem menos efeito na fase de rigidez tardia. A hidrodilatação sem fisioterapia traz pouco ganho. O corticoide é adiado em diabetes descompensado, e procedimentos não são feitos com infecção.

Riscos da automedicação

Pela intensidade da dor, o uso prolongado de anti-inflamatórios por conta própria é comum na capsulite e traz riscos para estômago, rins e pressão arterial. Forçar o ombro com alongamentos intensos em casa, na fase inflamatória, também piora o quadro.

Capsulite adesiva em Brasília e no Gama

A Dra. Mayara atende pacientes com capsulite no consultório da Asa Norte, em Brasília, e pacientes do Gama, Novo Gama e entorno. Veja também dor no ombro.

Perguntas frequentes

Capsulite adesiva tem cura?

Sim. Na grande maioria dos casos o movimento retorna, embora possa levar de 1 a 3 anos. O tratamento reduz a dor e pode encurtar esse tempo. Parte dos pacientes fica com limitação residual leve.

Qual a relação entre capsulite e diabetes?

Pessoas com diabetes têm risco várias vezes maior de capsulite, com formas mais longas e às vezes nos dois ombros. Em alguns casos, a capsulite é a primeira pista de um diabetes ainda não diagnosticado.

A infiltração deve ser feita cedo?

Sim. O maior benefício do corticoide dentro da articulação acontece na fase dolorosa inicial, quando a inflamação da cápsula está ativa.

Fisioterapia ajuda ou piora?

Ajuda, desde que adaptada à fase. Alongamentos intensos na fase dolorosa podem piorar a inflamação. Na fase de rigidez, a intensidade aumenta de forma progressiva.

Posso ter capsulite nos dois ombros?

Sim, principalmente em diabéticos. Em geral não ao mesmo tempo. Depois de recuperado, é raro o mesmo ombro ter capsulite de novo.

Agende sua avaliação em Brasília ou no Gama

Consulta e ultrassom com a Dra. Mayara Ferreira Ramos, no consultório da Asa Norte ou em domicílio. A conduta é sempre definida após avaliação individual.

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