Bursite é a inflamação de uma bursa, pequena bolsa com líquido que reduz o atrito entre ossos, tendões e pele. Pode ser mecânica, por sobrecarga, inflamatória, por cristais ou doenças reumáticas, ou infecciosa, que exige tratamento urgente e contraindica o corticoide. Em Brasília e no Gama, a Dra. Mayara Ferreira Ramos confirma a bursite com ultrassom, identifica a lesão vizinha que costuma estar por trás dela e, quando indicado, guia a aspiração ou a infiltração no ponto exato.
O que são as bursas e por que elas inflamam
O corpo tem mais de 150 bursas. Elas ficam em pontos de atrito: entre o tendão e o osso no ombro, sobre a saliência óssea do quadril, na ponta do cotovelo, na frente do joelho e atrás do calcanhar. Em condições normais, têm uma camada finíssima de líquido, quase invisível no ultrassom.
Quando irritadas por atrito, pressão, trauma ou inflamação vinda de estruturas vizinhas, as paredes produzem mais líquido, espessam e ficam dolorosas. A bursa pode aumentar de volume até formar um inchaço visível, como acontece na ponta do cotovelo.
Tipos de bursite pela localização
Bursite subacromial (ombro)
A mais comum de todas. A bursa fica entre o acrômio e o tendão supraespinal e quase sempre inflama junto com a tendinopatia do manguito rotador. Dói ao levantar o braço acima da altura do ombro e à noite, ao deitar do lado. Veja síndrome do manguito rotador.
Bursite trocantérica (quadril)
Dor na lateral do quadril, pior ao deitar de lado, subir escadas e levantar da cadeira. Na maioria dos casos o problema principal é a tendinopatia dos glúteos, e a bursa inflama de forma secundária. Veja bursite trocantérica.
Bursite do iliopsoas (virilha)
Dor na frente do quadril e na virilha, às vezes associada a artrose ou a prótese de quadril. Pela profundidade, qualquer procedimento exige guia de imagem.
Bursite olecraniana (cotovelo)
Inchaço na ponta do cotovelo, às vezes do tamanho de um ovo, geralmente pouco doloroso. Causada por apoio repetido, trauma ou gota. Tem risco relevante de infecção.
Bursite pré-patelar (frente do joelho)
Conhecida como “joelho de faxineira”, surge em quem trabalha ajoelhado. Também tem risco de infecção por ser superficial.
Bursite anserina (pata de ganso)
Dor na parte interna do joelho, abaixo da articulação. Muito comum em mulheres com sobrepeso e artrose de joelho, e frequentemente confundida com lesão de menisco.
Bursite retrocalcânea (calcanhar)
Entre o tendão de Aquiles e o calcâneo, associada ao atrito do calçado e à saliência óssea chamada deformidade de Haglund. Veja tendinite de Aquiles.
Tipos de bursite pela causa
Mecânica
A mais frequente. Resulta de atrito repetido, pressão prolongada ou tendinopatia vizinha.
Traumática
Após queda ou pancada direta, às vezes com sangue dentro da bursa.
Inflamatória
Associada a artrite reumatoide, espondiloartrites e polimialgia reumática.
Por cristais
A gota e a doença por deposição de pirofosfato de cálcio podem causar bursite aguda, especialmente no cotovelo e no joelho.
Séptica (infectada)
Bactérias entram pela pele, geralmente por pequenos ferimentos, em bursas superficiais. É mais comum em diabéticos, imunossuprimidos e trabalhadores com atrito constante. Exige aspiração, análise do líquido e antibiótico, e o corticoide está contraindicado.
Bursite mecânica, infectada ou por cristais?
A conduta muda completamente conforme a causa, e por isso essa diferenciação vem antes de qualquer tratamento.
| Característica | Mecânica | Infectada (séptica) | Por cristais (gota) |
|---|---|---|---|
| Início | Gradual | Rápido, em dias | Súbito, em horas |
| Pele | Normal | Vermelha e quente | Vermelha e quente |
| Febre | Não | Frequente | Às vezes |
| Líquido aspirado | Claro | Turvo, com bactérias | Com cristais de ácido úrico |
| Corticoide | Pode ser indicado | Contraindicado | Pode ser indicado após excluir infecção |
Sintomas da bursite
- Dor localizada que piora com o movimento ou com a pressão sobre a região, como apoiar o cotovelo na mesa.
- Dor ao deitar sobre o lado afetado, típica do ombro e do quadril.
- Inchaço macio e bem delimitado nas bursas superficiais, às vezes com sensação de “bolsa de água”.
- Sensação de calor local.
- Limitação de movimento causada pela dor, e não por bloqueio mecânico.
Causas e fatores de risco
- Movimentos repetitivos e apoio prolongado sobre cotovelos ou joelhos.
- Tendinopatias vizinhas, principalmente no ombro e no quadril.
- Alterações da marcha e diferença de comprimento das pernas.
- Excesso de peso e artrose da articulação próxima.
- Gota e doenças reumáticas.
- Diabetes e imunossupressão, que aumentam o risco de infecção.
Sinais de alerta: quando pode ser infecção
- Vermelhidão que se espalha para além da bursa.
- Calor intenso e dor forte ao toque.
- Febre, calafrios ou mal-estar.
- Ferida ou arranhão na pele sobre a bursa.
Nessas situações, procure avaliação no mesmo dia. A bursite séptica exige aspiração e antibiótico, e o atraso pode levar a abscesso.
Sua bursite volta sempre no mesmo lugar?
O ultrassom mostra o tendão ou a articulação vizinha que mantém a bursa inflamada. Tratar só a bursa costuma levar à recidiva.
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Histórico clínico
Tipo de trabalho, esportes, traumas, episódios anteriores e resposta a cada tratamento. Bursites em várias regiões ao mesmo tempo sugerem causa sistêmica.
Exames hormonais e laboratoriais
Ácido úrico, PCR, VHS, hemograma, glicemia e marcadores reumatológicos, principalmente em bursites recorrentes ou múltiplas. Na suspeita de infecção ou cristais, o líquido aspirado é analisado com contagem de células, cultura e pesquisa de cristais.
Fatores metabólicos
Diabetes aumenta o risco de bursite séptica e altera a resposta ao corticoide. O excesso de peso aumenta a carga sobre quadril e joelho.
Sono
A dor noturna é característica. A posição de dormir pode perpetuar a bursite do ombro e do quadril, e ajustes simples, como um travesseiro entre os joelhos, ajudam.
Saúde mental
Dor persistente que atrapalha o sono afeta humor e disposição. Quando a dor vira crônica, o componente emocional precisa ser considerado.
Uso de medicamentos
Corticoide oral e imunossupressores aumentam o risco de infecção. Diuréticos elevam o ácido úrico e favorecem a bursite por gota.
Estilo de vida
Trabalho ajoelhado, apoio constante dos cotovelos, longas caminhadas em ladeiras e tempo em pé são avaliados e ajustados.
Relacionamento e rotina familiar
Tarefas domésticas, como limpar o chão ajoelhado, e cuidar de crianças pequenas estão entre as causas mais comuns de bursite no joelho e no cotovelo.
Diagnóstico: quais exames são necessários
O ultrassom musculoesquelético confirma a distensão da bursa, mede o espessamento das paredes, avalia o conteúdo e, principalmente, mostra o que está ao redor: o tendão vizinho, a articulação, calcificações ou tofos de gota. A radiografia é útil quando se suspeita de artrose ou calcificação. Exames de sangue e a análise do líquido completam a investigação quando há suspeita de infecção ou cristais.
Tratamentos disponíveis
Afastar infecção
Antes de qualquer conduta, a possibilidade de bursite séptica é avaliada. Na dúvida, a bursa é aspirada e o líquido é analisado.
Medidas iniciais
Redução do atrito e da pressão, proteção com almofadas no cotovelo e no joelho, ajuste da posição de dormir, gelo e analgésicos por curto período.
Tratamento da causa associada
Fortalecimento dos glúteos na dor trocantérica, reabilitação do manguito no ombro, controle do peso e da artrose no joelho e tratamento da gota.
Aspiração guiada
Em bursas volumosas, a retirada do líquido alivia a pressão e permite análise laboratorial.
Infiltração guiada por ultrassom
Em bursites mecânicas ou inflamatórias sem infecção, a infiltração com corticoide na bursa costuma trazer alívio importante. O ultrassom permite confirmar que o medicamento fica na bursa e não no tendão vizinho.
Cirurgia
Rara. Indicada em bursites crônicas recorrentes, principalmente olecranianas e pré-patelares, ou em bursites sépticas que não respondem ao tratamento.
Limitações e quando a infiltração não é indicada
A infiltração não é indicada na suspeita de infecção, com ferida no local ou quando a bursite recorre por atrito que não foi corrigido: ela alivia, mas a bursite volta. Infiltrações repetidas no mesmo local também são desaconselhadas.
Riscos da automedicação
Tratar uma bursite do cotovelo ou do joelho com anti-inflamatório e compressas por conta própria pode atrasar o diagnóstico de uma infecção. Furar a bursa em casa é perigoso e aumenta muito o risco de infecção grave. O uso prolongado de anti-inflamatórios também traz risco para estômago, rins e pressão arterial.
Tratamento de bursite em Brasília e no Gama
A Dra. Mayara avalia e trata bursites no consultório da Asa Norte, em Brasília, e atende pacientes do Gama, Novo Gama e entorno, inclusive em domicílio. Procure avaliação se a dor dura mais de algumas semanas, se o inchaço volta ou se há dor noturna que atrapalha o sono.
Perguntas frequentes
Bursite tem cura?
Sim, a maioria melhora com tratamento adequado. A recorrência é comum quando a causa mecânica ou a tendinopatia vizinha não é tratada, por isso o exame que mostra o que está ao redor da bursa é tão importante.
Qual a diferença entre bursite e tendinite?
A bursite é a inflamação da bursa. A tendinite é a lesão do tendão. As duas coexistem com frequência na mesma região e causam dor parecida. O ultrassom separa uma da outra e mostra qual predomina.
Bursite pode ser infecção?
Sim, principalmente na ponta do cotovelo e na frente do joelho, que são superficiais. Febre, vermelhidão que se espalha, calor intenso e dor forte exigem avaliação no mesmo dia, com aspiração e análise do líquido.
Devo drenar a bursite do cotovelo?
Depende. Bursas pequenas e pouco dolorosas podem regredir com proteção contra o apoio. Bursas volumosas, dolorosas ou com suspeita de infecção devem ser aspiradas, de preferência com guia de ultrassom.
Quanto tempo leva para a bursite melhorar?
Com tratamento adequado, a dor costuma melhorar em algumas semanas. A resolução completa depende da correção da causa, como o fortalecimento dos glúteos no quadril ou a reabilitação do manguito no ombro.
Agende sua avaliação em Brasília ou no Gama
Consulta e ultrassom com a Dra. Mayara Ferreira Ramos, no consultório da Asa Norte ou em domicílio. A conduta é sempre definida após avaliação individual.
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