A dor na lateral do quadril, que piora ao deitar de lado, subir escadas e ficar em pé sobre uma perna, é chamada popularmente de bursite trocantérica. Hoje se sabe que, na maioria dos casos, o problema principal está nos tendões dos glúteos, e a bursa inflama de forma secundária. Por isso o nome atual é síndrome da dor trocantérica maior, e o tratamento mais eficaz a longo prazo é o fortalecimento. Em Brasília e no Gama, a Dra. Mayara Ferreira Ramos avalia tendões e bursa com ultrassom e orienta a conduta.
O que é a síndrome da dor trocantérica
Na lateral do quadril existe uma saliência óssea no fêmur chamada trocânter maior. Nela se prendem os tendões do glúteo médio e do glúteo mínimo, músculos que estabilizam a pelve a cada passo. Sobre esses tendões ficam algumas bursas e, por cima de tudo, a banda iliotibial, uma faixa fibrosa que desce pela coxa.
Quando os tendões dos glúteos são comprimidos pela banda iliotibial, principalmente em posições em que a coxa cruza para dentro, eles sofrem, degeneram e doem. A bursa pode inflamar junto, mas raramente é o problema principal. Entender isso mudou o tratamento: em vez de infiltrações repetidas na bursa, o foco passou a ser o fortalecimento e o ajuste de posturas.
As variações
Tendinopatia glútea
É o componente principal na maior parte dos pacientes. Os tendões do glúteo médio e mínimo ficam espessados e com áreas de degeneração. Veja tendinite.
Bursite trocantérica
Distensão da bursa com líquido. Quando isolada, é menos comum do que se pensava. Em geral acompanha a tendinopatia. Veja bursite.
Ruptura dos tendões glúteos
Em casos crônicos, principalmente em mulheres mais velhas, os tendões podem romper, com fraqueza e marcha em que a pelve cai para o lado oposto. Às vezes é chamada de “manguito rotador do quadril”.
Ressalto externo do quadril
Atrito da banda iliotibial sobre o trocânter, com estalo ao movimentar o quadril.
Sintomas
- Dor na lateral do quadril, sobre o osso, às vezes descendo pela lateral da coxa até o joelho.
- Dor ao deitar sobre o lado afetado, e às vezes também sobre o outro lado.
- Dor ao subir escadas, ladeiras e levantar da cadeira.
- Dor ao ficar em pé apoiado em uma perna só, como ao vestir a calça.
- Dor ao cruzar as pernas.
- Mancar, nos casos com ruptura.
Causas e fatores de risco
- Mulheres entre 40 e 60 anos, com prevalência várias vezes maior que em homens, pela anatomia da pelve e pelas mudanças hormonais da menopausa.
- Excesso de peso.
- Fraqueza dos glúteos.
- Posturas com a coxa cruzada: sentar de pernas cruzadas, ficar em pé apoiado em um lado, dormir de lado sem apoio entre os joelhos.
- Aumento súbito de atividade, como começar caminhadas longas ou subir ladeiras.
- Artrose de quadril ou joelho, dor lombar e diferença de comprimento das pernas.
Diagnósticos diferenciais importantes
- Artrose do quadril: dor mais na virilha, com perda de rotação.
- Dor que vem da coluna lombar: com formigamento e irradiação abaixo do joelho.
- Meralgia parestésica: queimação e dormência na lateral da coxa por compressão de um nervo.
- Disfunção sacroilíaca.
- Fratura por estresse, em pessoas com osteoporose ou atletas.
Sinais de alerta
- Dor após queda, principalmente em idosos: afastar fratura.
- Dor na virilha com perda de movimento: investigar a articulação.
- Dormência e fraqueza na perna: investigar a coluna.
- Febre e quadril muito doloroso: atendimento imediato.
Não consegue dormir de lado por causa do quadril?
O ultrassom mostra se a dor vem dos tendões glúteos, da bursa ou de outra estrutura, e o tratamento é definido a partir disso.
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Histórico clínico
Início da dor, mudanças de atividade, posição de dormir, dor lombar associada e tratamentos já feitos. O exame inclui o teste de apoio em uma perna por 30 segundos.
Exames hormonais e laboratoriais
Na mulher na transição menopausal, a queda hormonal é considerada, porque é um período de maior incidência. Exames laboratoriais entram quando há suspeita de doença inflamatória ou metabólica.
Fatores metabólicos
Peso e composição corporal influenciam a carga sobre os tendões. A perda de peso ajuda no alívio.
Sono
A dor ao deitar de lado é uma das queixas mais marcantes. Travesseiro entre os joelhos e evitar dormir sobre o lado afetado ajudam.
Saúde mental
A dor persistente e a limitação para caminhar afetam humor e disposição, e reduzem a atividade física, o que enfraquece ainda mais os glúteos.
Uso de medicamentos
Anti-inflamatórios de uso frequente, anticoagulantes e corticoides são revisados.
Estilo de vida
Tempo em pé, escadas, forma de sentar, tipo de atividade física e calçados.
Relacionamento e rotina familiar
Cuidar de netos, fazer compras e caminhar com a família são atividades que a dor limita e que servem de meta para o tratamento.
Diagnóstico: quais exames são necessários
O ultrassom musculoesquelético mostra espessamento e degeneração dos tendões glúteos, rupturas parciais e completas, calcificações, líquido na bursa e espessamento da banda iliotibial. Quando a dor parece vir da articulação do quadril, radiografia e ressonância complementam.
Tratamentos disponíveis
Educação e ajuste da carga
Evitar cruzar as pernas, não ficar em pé apoiado sobre um lado, dormir com travesseiro entre os joelhos e reduzir temporariamente ladeiras e escadas.
Exercício
O fortalecimento progressivo dos glúteos é o tratamento com melhor evidência de longo prazo. Um estudo clínico importante mostrou que educação associada a exercício trouxe resultado melhor em 8 semanas e em 1 ano do que a infiltração com corticoide ou a simples observação.
Controle do peso
Reduz a carga sobre os tendões.
Terapia por ondas de choque
Tem evidência em casos crônicos.
Infiltração guiada por ultrassom
A infiltração com corticoide na bursa alivia a dor no curto prazo e pode ajudar o paciente a conseguir fazer os exercícios. O guia por ultrassom permite confirmar que o medicamento fica na bursa, fora do tendão.
Cirurgia
Reparo dos tendões glúteos em rupturas com fraqueza e dor que não respondem ao tratamento conservador.
Comparando os tratamentos
| Tratamento | Efeito em semanas | Efeito em 1 ano | Papel principal |
|---|---|---|---|
| Educação e exercício | Bom | Melhor resultado | Base do tratamento |
| Infiltração guiada | Muito bom | Menor que o exercício | Aliviar para permitir a reabilitação |
| Ondas de choque | Moderado | Bom em casos crônicos | Alternativa quando o exercício não basta |
| Apenas aguardar | Pequeno | Variável | Casos leves |
Limitações e quando a infiltração não é indicada
Muitos pacientes recebem infiltrações repetidas no quadril, com alívio cada vez mais curto, porque a tendinopatia, que é a causa, continua sem tratamento. A infiltração tem papel, mas é coadjuvante. Não é indicada de forma repetida quando há ruptura tendínea, com infecção ou com diabetes descompensado.
Riscos da automedicação
O uso contínuo de anti-inflamatórios para conseguir dormir traz riscos para estômago, rins e pressão arterial. Parar de caminhar por medo da dor enfraquece os glúteos e prolonga o problema.
Dor lateral do quadril em Brasília e no Gama
A Dra. Mayara atende no consultório da Asa Norte, em Brasília, e pacientes do Gama, Novo Gama e entorno, com avaliação por ultrassom e procedimentos guiados. Veja também dor no quadril.
Perguntas frequentes
Bursite no quadril tem cura?
Sim. A maioria melhora com ajuste de carga e exercícios de fortalecimento dos glúteos, embora a recuperação possa levar alguns meses.
A infiltração resolve a bursite trocantérica?
Alivia a dor, principalmente no curto prazo, e pode ajudar o paciente a conseguir fazer os exercícios. O resultado duradouro depende do fortalecimento dos glúteos.
Por que dói ao deitar de lado?
A posição comprime os tendões e a bursa contra o osso. Deitar sobre o outro lado também pode doer, porque a coxa de cima cruza e tensiona a região. Um travesseiro entre os joelhos ajuda.
Caminhada faz mal?
Não. Caminhar é recomendado, com ajuste de distância e terreno. Ladeiras e escadas podem precisar ser reduzidas temporariamente.
Dor na lateral do quadril é artrose?
Geralmente não. A dor da artrose do quadril costuma ser na virilha. A dor lateral costuma vir dos tendões glúteos e da bursa, e o ultrassom diferencia as duas situações.
Agende sua avaliação em Brasília ou no Gama
Consulta e ultrassom com a Dra. Mayara Ferreira Ramos, no consultório da Asa Norte ou em domicílio. A conduta é sempre definida após avaliação individual.
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