O bloqueio de nervo periférico é a aplicação de anestésico, associado ou não a corticoide, junto a um nervo sensitivo responsável pela dor de uma articulação. Não trata a causa, mas interrompe a transmissão da dor e pode trazer alívio importante na dor crônica do ombro e do joelho, abrindo espaço para a reabilitação. Em Brasília e no Gama, a Dra. Mayara Ferreira Ramos realiza o bloqueio com o nervo e os vasos visíveis no ultrassom durante todo o procedimento.

Como o bloqueio de nervo funciona

Cada articulação recebe sensibilidade de nervos específicos. Boa parte da dor do ombro é conduzida pelo nervo supraescapular. O joelho recebe ramos chamados nervos geniculares, que envolvem a articulação como os raios de uma roda. Quando o anestésico é colocado ao redor desses nervos, o sinal de dor que sai da articulação diminui.

O ultrassom mostra o nervo, a artéria que costuma correr ao seu lado e o trajeto da agulha. O medicamento envolve o nervo sem ser injetado dentro dele, o que é fundamental para a segurança. Com o Doppler, a médica confirma a posição dos vasos antes da punção.

Tipos de bloqueio realizados

Bloqueio do nervo supraescapular (ombro)

Indicado para dor crônica do ombro que não responde ao tratamento habitual:

  • Capsulite adesiva: reduz a dor e permite que a fisioterapia avance com mais amplitude.
  • Artrose do ombro: controla a dor em pacientes sem indicação ou condição cirúrgica.
  • Rupturas extensas do manguito rotador que não podem ser reparadas. Veja manguito rotador.
  • Ombro doloroso após AVC, em que a dor atrapalha a reabilitação neurológica.

Bloqueio dos nervos geniculares (joelho)

Indicado para artrose de joelho com dor persistente, principalmente em pacientes que não têm condição clínica para prótese, estão aguardando a cirurgia ou mantêm dor após a prótese, depois de afastadas causas mecânicas e infecciosas. Os alvos mais usados são os ramos superomedial, superolateral e inferomedial.

O bloqueio genicular também funciona como teste: se houver bom alívio, o paciente pode ser candidato a técnicas de efeito mais prolongado, como a radiofrequência, realizadas por serviços especializados em dor.

Bloqueios de ramos sensitivos específicos

Em dores neuropáticas localizadas, como as que surgem após cirurgias ou compressões, bloqueios de nervos cutâneos podem ser indicados após avaliação detalhada.

Bloqueio, infiltração ou radiofrequência?

As três técnicas são complementares e costumam ser usadas em momentos diferentes do tratamento da dor crônica.

TécnicaOnde ageDuração típicaQuando faz sentido
InfiltraçãoNa estrutura doente, como bursa ou articulaçãoSemanas a mesesInflamação localizada identificada no exame
Bloqueio de nervoNo nervo que conduz a dor da articulaçãoHoras a mesesDor crônica articular, teste diagnóstico
RadiofrequênciaInterrompe o nervo por calor controladoMesesBoa resposta prévia ao bloqueio, em serviço de dor

Sintomas que levam à indicação

A indicação costuma surgir na dor articular crônica, que dura meses, atrapalha o sono e limita atividades básicas como vestir-se, caminhar e subir escadas, e que já não responde bem a medicação, fisioterapia e infiltrações. Pacientes idosos com várias doenças, que não podem usar anti-inflamatórios de forma contínua, estão entre os que mais se beneficiam.

Sinais de alerta

  • Dor no ombro com falta de ar, dor no peito ou suor frio: pode ter origem cardíaca e exige pronto-socorro.
  • Febre com articulação quente: afastar infecção antes de qualquer procedimento.
  • Fraqueza progressiva no braço ou na perna: investigar compressão nervosa na coluna.
  • Dor que muda de padrão de forma súbita: exige nova investigação por imagem.

Convive com dor no ombro ou no joelho há meses?

O bloqueio guiado pode ser uma alternativa quando outros tratamentos não bastaram. A indicação é definida após consulta e ultrassom.

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Investigação clínica antes do bloqueio

Histórico clínico

Tempo de dor, cirurgias, tratamentos feitos e resposta a cada um, além de doenças que contraindiquem cirurgia e expliquem a busca por alternativas.

Exames hormonais e laboratoriais

Coagulograma quando há suspeita de distúrbio de coagulação. Glicemia em diabéticos, se o corticoide fizer parte da mistura. TSH e glicemia na capsulite, que tem forte associação com diabetes e tireoide.

Fatores metabólicos

Diabetes, obesidade e doença renal influenciam a escolha dos medicamentos e das doses.

Sono

A dor noturna é um dos principais alvos do bloqueio. A melhora do sono é um dos marcadores de sucesso mais valorizados pelos pacientes.

Saúde mental

A dor crônica frequentemente se acompanha de ansiedade, humor deprimido e medo de se movimentar. Esses fatores mudam a percepção da dor e merecem cuidado conjunto.

Uso de medicamentos

Anticoagulantes e antiagregantes exigem planejamento. Remédios para dor crônica, como opioides e antidepressivos, são revisados para ajustar o plano após o bloqueio.

Estilo de vida

Nível de atividade, risco de queda e necessidade de dirigir após o procedimento definem os cuidados do dia.

Relacionamento e rotina familiar

A presença de um acompanhante, especialmente em bloqueios do joelho, e o apoio da família na reabilitação são combinados antes.

Diagnóstico: quais exames são necessários

O ultrassom musculoesquelético confirma a condição da articulação e localiza o nervo. A radiografia gradua a artrose. A ressonância é usada quando há dúvida sobre a origem da dor. Um bloqueio só faz sentido quando se sabe de onde vem a dor.

Como é o procedimento

O paciente fica em posição confortável, a pele é limpa com técnica estéril e o nervo é localizado no ultrassom. A agulha avança sob visão direta até o espaço ao redor do nervo, onde o medicamento é aplicado. O procedimento dura de 15 a 30 minutos. A dormência começa em minutos e dura algumas horas.

O bloqueio como teste diagnóstico

Além de aliviar, o bloqueio responde a uma pergunta clínica importante: de onde vem a dor? Quando um paciente com artrose de joelho e dor lombar tem alívio quase completo após o bloqueio genicular, fica claro que o joelho é a principal fonte. Se o alívio é pequeno, a investigação se volta para a coluna, o quadril ou para mecanismos de sensibilização do sistema nervoso.

Esse raciocínio evita cirurgias e procedimentos direcionados à estrutura errada. Por isso, após o bloqueio, o paciente registra a intensidade da dor nas horas seguintes, de 0 a 10, e essa anotação é discutida no retorno.

O que esperar nas semanas seguintes

O anestésico age em minutos e o alívio inicial dura algumas horas. Quando há corticoide associado, o efeito pode se estender por semanas. O período de menos dor deve ser aproveitado para a fisioterapia, o fortalecimento e o ganho de movimento, que são o que sustenta o resultado. No ombro com capsulite, por exemplo, sessões de fisioterapia logo após o bloqueio costumam render mais amplitude do que sessões feitas com dor intensa.

Limitações e situações em que não é indicado

O bloqueio alivia a dor, mas não trata a causa, e a resposta é muito variável: alguns pacientes têm alívio de meses, outros de dias. Ele é mais eficaz quando usado como parte de um plano, com reabilitação no período de menos dor. Não é indicado em infecção local ou sistêmica, em distúrbio de coagulação não controlado, em dor aguda por lesão tratável de outra forma ou quando existe expectativa de cura da doença de base.

Os riscos incluem dormência e fraqueza transitórias, hematoma, injeção em vaso, evitada pelo Doppler, e lesão nervosa, rara com técnica guiada.

Riscos da automedicação na dor crônica

O uso prolongado de anti-inflamatórios, relaxantes musculares e analgésicos fortes por conta própria é comum em quem convive com dor há meses. Esses remédios podem causar sangramento digestivo, piora da função renal, sonolência, quedas e dependência. A dor crônica merece um plano estruturado, e não uma soma de medicamentos.

Bloqueio de nervos em Brasília e no Gama

A Dra. Mayara realiza bloqueios guiados por ultrassom no consultório da Asa Norte, em Brasília, e atende pacientes do Gama, Novo Gama e entorno, inclusive em domicílio para idosos e pacientes acamados. Veja também dor no ombro e dor no joelho.

Perguntas frequentes

O bloqueio cura a artrose?

Não. O bloqueio alivia a dor, mas não muda a doença. Ele melhora a qualidade de vida, permite a reabilitação e, em alguns casos, ajuda pacientes que não podem ou não querem fazer cirurgia naquele momento.

Quanto tempo dura o efeito do bloqueio?

Varia de horas, quando só anestésico é usado, a semanas ou meses, quando associado a corticoide. A resposta é individual e é reavaliada em retorno.

Posso dirigir depois do bloqueio?

Após bloqueios de nervos da perna, recomenda-se ter acompanhante e não dirigir no mesmo dia, pela possibilidade de dormência e fraqueza transitórias. No ombro, a orientação depende do lado e da extensão da dormência.

Qual a diferença entre bloqueio e infiltração?

Na infiltração, o medicamento vai para a estrutura doente, como a bursa ou a articulação. No bloqueio, o medicamento vai para o nervo que conduz a dor daquela estrutura. Em alguns casos, os dois são combinados.

O bloqueio pode ser repetido?

Sim, quando houve boa resposta, respeitando os limites de dose do corticoide se ele fizer parte da mistura. Um bom resultado também pode indicar candidatura a técnicas de efeito mais longo em serviços de dor.

Agende sua avaliação em Brasília ou no Gama

Consulta e ultrassom com a Dra. Mayara Ferreira Ramos, no consultório da Asa Norte ou em domicílio. A conduta é sempre definida após avaliação individual.

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